Revisão Anual da Política de Investimentos

 

Anualmente, sempre na última reunião do Conselho Deliberativo do ano, a Visão Prev reavalia a sua Política de Investimentos.

Esse comunicado tem por objetivo compartilhar com nossos participantes, em detalhes, o racional para essas alterações aprovadas pelo Conselho Deliberativo, em 03/12/2019 e que estarão disponíveis integralmente em documento a ser publicado até o final de dezembro. Nesse documento, intitulado “Políticas de Investimentos” dos planos da Visão Prev, são formalizadas as diretrizes em relação às estratégias para alocação dos investimentos, que são estabelecidas para aplicação de recursos, como as classes de investimentos, limites mínimos, máximos e índices de referência.

 

Horizonte de Longo Prazo e Preservação de Capital

A população brasileira passa por uma transformação demográfica significativa, a população tem apresentando uma maior expectativa de vida, em uma das transições etárias mais aceleradas já registradas. Um dos impactos diretos dessa transição está na recém aprovada reforma da previdência oficial, como indicado por economistas e pelo mercado, essencial para o equilíbrio das contas do governo no longo prazo.

As consequências não se limitam às contas do governo, mas traz importantes impactos para todos os indivíduos com vistas à sua aposentadoria e a acumulação de reservas para complemento de renda no longo prazo.

Em qualquer cenário, a constituição de recursos de longo prazo passa por objetivar retorno real (acima da inflação) em um horizonte longo de tempo. Contudo, o nível de retorno gerado está relacionado diretamente ao risco incorrido e a avaliação de cenários prospectivos é chave para a definição de alocação dos recursos.

Cabe aqui reforçar a missão da Visão Prev de promover condições para que, no futuro, seus participantes tenham complementação financeira apropriada, através da excelência na gestão de seus planos. A entidade busca possibilitar que os participantes planejem e constituam um patrimônio ao longo do tempo.

Existem dois pilares (atributos de um plano de previdência) que sempre são considerados na definição da Política de Investimentos: preservação do capital investido e visão de longo prazo.

Partindo destes dois atributos e considerando o cenário econômico dos últimos anos, onde as taxas de juros tiveram reduções importantes, a Política de Investimentos 2020 terá algumas alterações, com o objetivo principal de redução do risco em nossos perfis.

 

Cenário Econômico

No âmbito político, o ano de 2019 foi marcado pela mudança no governo brasileiro, com grandes expectativas pelo mercado de uma manutenção dos avanços na área fiscal, por exemplo, a aprovação de reformas para redução do nível da dívida pública e agenda de medidas visando favorecer o ambiente de negócios no país, com destaque para a reforma da previdência.

A reforma da previdência que fora apresentada no início do ano foi robusta, com uma meta de poupança relevante e a inclusão de diversos setores em seu escopo. E sua tramitação passou por percalços maiores do que o mercado havia previsto. No entanto, com a reaproximação do Executivo com o Legislativo, a reforma foi aprovada no segundo semestre.

O progresso no campo político, entretanto, contrasta com dados econômicos ainda fracos; o ano de 2019 iniciou com expectativas de crescimento com certo otimismo para a economia brasileira, no entanto, a atividade econômica perdeu força durante o ano, em um ambiente de maior incerteza, em especial quanto ao cenário internacional e a confiança por parte dos agentes econômicos. A expectativa atual de mercado para PIB é de um crescimento de 1,0% em 2019 (podendo ser levemente revisada positivamente, após a divulgação do PIB do 3º trimestre), mas ainda bem abaixo das projeções de crescimento de 2,5% que predominavam no início do ano. Já para o ano de 2020, a expectativa atual é de um crescimento de 2,2%, de acordo com o relatório Focus divulgado no dia 29/11/2019.

 

Crescimento Econômico

Fonte: IBGE, Relatório Focus Banco Central do Brasil.

 

Esse cenário para o crescimento local e os níveis atuais de juros globais vêm também impactando o mercado de juros no Brasil, pressionando as taxas para baixo. O Banco Central do Brasil (BACEN) seguiu reforçando que o nível inflacionário permanece estável e que o balanço dos riscos para a inflação evoluiu de forma positiva. A partir do segundo semestre, a autoridade monetária retomou o ciclo de redução da taxa básica de juros, Selic -  no início do ano, a taxa estava num patamar de 6,5% a.a. e a partir de julho, realizou cortes que totalizaram 150 pontos-base, atingindo o patamar atual de 5,0% a.a..

 

Taxa Básica de Juros – Selic (% a.a.)

 

Fonte: Banco Central do Brasil.

 

No âmbito internacional, o ano de 2019 foi marcado por um aumento nos sinais de que a economia mundial está em desaceleração. A incerteza por partes dos agentes econômicos é um dos fatores que contribuíram para a desaceleração da economia mundial. Outros elementos que contribuem para as incertezas do mercado são as relações geopolíticas, como a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), os protestos em Hong Kong, Chile e outros países.

As incertezas relacionadas a esses eventos resultaram em uma elevação da aversão ao risco por parte dos agentes econômicos, o que pressionou ao longo do ano os preços de ativos em mercados emergentes, especialmente suas taxas de câmbio.

 

Histórico da Carteira de Investimentos da Visão Prev

As carteiras de investimentos dos diversos perfis da Visão Prev são compostas majoritariamente, por títulos públicos federais atrelados à inflação, com vencimentos de curto, médio e longo prazo (exceto no perfil Super Conservador).

Como pode ser observado no gráfico abaixo, que apresenta as principais classes de ativos investidos pela Visão Prev, esses papéis apresentaram nos últimos três anos, uma combinação de risco x retorno muito positiva. Vide os pontos (IMA-B5 e IMA-B5+), que se referem aos índices de títulos com vencimento até 5 anos (B5) e superiores a 5 anos (B5+).

  

Fonte: Economática

 

Os retornos apresentados pelos nossos perfis nos últimos 3 anos, que incluem o ano de 2019, são justificados fortemente pelos retornos desses títulos do governo atrelados à inflação, refletidos em nossa carteira pela marcação a mercado desses papéis.

Os gráficos abaixo apresentam como referência, o retorno nos últimos três anos de dois desses títulos: (i) com vencimento inferior a 5 anos, NTN-B2022; (ii) com vencimento superior a 5 anos, NTN-B2040. Cabe lembrar que o retorno de um título de renda fixa tem o sentido oposto ao seu nível de taxa, além de seu prazo de vencimento.

 

Fonte: Economática

 

 

Fonte: Economática

 

Como sempre gostamos de exemplificar, a marcação a mercado funciona como um adiantamento nos rendimentos que se teria até o vencimento de um determinado título. Dessa forma, se por um lado houve um rendimento expressivo nos últimos anos, o retorno potencial desses papéis no longo prazo diminui, pois essa redução dos preços dos títulos já está refletida em nossas carteiras, via marcação a mercado.

 

Riscos – Cenários Prospectivos

Em complemento ao fenômeno da queda nas taxas de juros no mundo durante as últimas duas décadas, tem-se observado uma forte acomodação das mesmas em níveis historicamente baixos e até negativos, principalmente em países de moeda forte como EUA, Japão e alguns países da Zona do Euro.

Em contraponto, quando se trata de juros altos, por muitas décadas, o Brasil figurou entre os campeões mundiais. Corroborando de forma parcial com as expectativas de continuidade das reformas já endereçadas, bem como no maior controle de gastos por parte do governo e a retomada do crescimento sem forte pressão inflacionária, o cenário base utilizado, que é o de maior probabilidade de ocorrência, de acordo com nossos consultores, considera a manutenção dos níveis de taxas dos papéis atrelados à inflação.

Em um cenário positivo, o movimento de queda nas taxas de juros domésticas tende a se manter, mas não no ritmo, nem na magnitude observados em 2018 e 2019, dado que nossos níveis de taxas de juros domésticas estão normalizados aos de países emergentes e em níveis historicamente baixos. Em um cenário pessimista, por motivos internos ou externos ao país, parte significativa do ganho observado, poderia ser devolvido, indicando que uma maior cautela é necessária nesse momento.

Em linha com este novo cenário de taxas de juros historicamente baixas e cada vez mais desafiador, levando em conta a diretriz e preocupação com a preservação de capital e busca por melhores oportunidades de investimentos, sempre compatível com o respectivo apetite de risco de cada perfil disponível, a Visão Prev está promovendo alterações na composição dos benchmarks para categoria de títulos de renda fixa, com objetivo de reduzir (não eliminar) o risco constantes.

 

Movimentos

Não haverá, pela política, alteração na alocação de renda variável, multimercado e investimentos no exterior dos nossos perfis.

Nos quadros abaixo, detalhamos a composição atual dos Perfis e destacamos em verde as alterações dos indicadores de referência no segmento de Renda Fixa, em função do aumento da participação em Ativos pós-fixados indexados ao CDI.

Um ponto adicional, nos Perfis Moderado e Agressivo, avaliaremos acrescentar Fundos Imobiliários e Private Equity, respeitando o limite de Estruturados.

 

Renda Fixa:     De:       95% IMA-B5+, 5% CDI

                   Para:   65% IMA-B5+, 35% CDI

Renda Fixa:     De:       55% IMA-B5+, 30% IMA-B5, 15% CDI

                   Para:   50% IMA-B5+, 25% IMA-B5, 25% CDI

Renda Fixa:     De:       20% IMA-B5+, 65% IMA-B5, 15% CDI

                   Para:   15% IMA-B5+, 55% IMA-B5, 30% CDI

Renda Fixa:     De:       90% IMA-B5, 10% CDI

                   Para:   60% IMA-B5, 40% CDI

 

Conclusão

Para concluir, reforçamos que há dois pilares sempre considerados na definição da Política de Investimentos da Visão Prev: preservação do capital investido e visão de longo prazo.

Dados os cenários base, otimista e pessimista avaliados e a composição das carteiras de investimentos dos perfis da Visão Prev, foi aprovado em reunião do Conselho Deliberativo a redução do risco alvo em renda fixa atrelada à inflação em nossos perfis.

Essa decisão implica uma redução, mas certamente não uma eliminação dos riscos dos nossos perfis, que ainda podem apresentar rentabilidade negativa. Um outro ponto, é que os perfis não passam a ter nível de risco único, ou seja, segue havendo incremento de risco do perfil conservador para os perfis agressivos, com o perfil moderado em nível intermediário.

Por fim, a redução da taxa de juros básica para nível inferior a 2% reais ao ano tem impacto direto na perspectiva de rentabilidade de todos os perfis da Visão Prev em 2020 e enquanto durar esse nível de juros.

 

(*) Este comunicado é informativo, não tendo como objetivo direcionar qualquer tipo de movimentação nas carteiras dos participantes que devem sempre avaliar suas características e realidades pessoais.

(**) A leitura desse documento não dispensa a leitura em inteiro teor das Políticas e Regulamentos da Visão Prev.